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Ilson Galdino - Advogado

A “Chapa da Morte” de 2026

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Força política ou armadilha matemática?

A aproximação do processo eleitoral de 2026 começa a iluminar, de forma cada vez mais clara, as movimentações e pretensões dos pré-candidatos. E, entre os bastidores da política mato-grossense, um tema já desperta atenção: a chamada “chapa da morte” para deputado estadual.

O termo não nasce apenas pelo peso político dos nomes envolvidos, mas, principalmente, pela matemática eleitoral que pode transformar força em risco, e favoritismo em frustração.

O Republicanos, legenda que carrega a missão de fortalecer o projeto de Otaviano Pivetta ao Governo do Estado, reúne atualmente a maior bancada de deputados estaduais em exercício. A sigla deverá entrar na disputa com cinco parlamentares de mandato: Diego Guimarães, Dr. Eugênio, Nininho, Paulo Araújo e Valmir Moretto.

Mas o que transforma essa composição em uma possível “chapa da morte” não é apenas a presença de nomes competitivos. O ponto central está no fato de o partido, até o momento, não disputar com uma “chapa fechada”.

Na prática, cada partido, federação ou coligação pode lançar até 25 candidatos. Entretanto, o Republicanos possui hoje apenas 14 nomes na composição final. E é justamente aí que a matemática eleitoral começa a impor pressão.

Considerando uma projeção de 1.884.780 votos válidos, o quociente eleitoral estimado gira em torno de 78.533 votos por cadeira. Dentro dessa lógica, para garantir a manutenção dos cinco deputados já detentores de mandato, o partido precisaria alcançar algo próximo de 392 mil votos.

Em uma conta direta, isso significa que os 14 candidatos da chapa teriam de produzir, em média, cerca de 28 mil votos cada. Na prática, os candidatos que ultrapassarem essa linha terão reais chances de sobrevivência política dentro da legenda. Já os demais correm o risco de se tornarem apenas parte da engrenagem necessária para empurrar os mais fortes à assembleia legislativa.

E talvez exista aí uma espécie de ironia política ou até de predestinação eleitoral envolvendo o ex-secretário de Saúde e suplente de deputado estadual Gilberto Figueiredo. Na eleição de 2022, ele conquistou expressivos 28.248 votos e, ainda assim, ficou fora da Assembleia Legislativa justamente por não integrar uma chapa fechada no União Brasil.

O paralelo chama atenção porque o cenário pode se repetir.

Entre os 14 nomes hoje ventilados no Republicanos, vários não ultrapassaram 20 mil votos na eleição passada, enquanto outros três sequer disputaram o pleito de 2022. Isso desenha uma chapa extremamente pesada entre cerca de sete nomes competitivos, mas, ao mesmo tempo, perigosamente dependente de desempenho coletivo.

A contradição é evidente: individualmente forte, mas matematicamente vulnerável.

E é exatamente nesse tipo de cenário que a política costuma revelar sua face mais dura. Porque eleição não se vence apenas com nomes conhecidos, mandato ou capital político. Vence-se com engenharia eleitoral, densidade de votos e equilíbrio de chapa.

Sem isso, até gigantes podem naufragar.

O Republicanos entra em 2026 carregando força, estrutura e favoritos. Mas também carrega um risco silencioso: o de descobrir que, em política, excesso de peso concentrado pode afundar o próprio barco e, transformar uma chapa construída para fazer cinco deputados em um projeto capaz de eleger apenas quatro.

Por: Ilso Galdino

Advogado e Servidor Público – Escreve sobre política para o NOTÍCIA EM FOCO MT

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ARTIGOS

2026 – Entre a Rejeição e o Pão

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A tragédia moderna de escolher o próprio algoz.

As eleições de 2026 no Brasil seguem indefinidas, principalmente para presidente. As pesquisas apontam que o primeiro e o segundo colocados somam juntos mais de 90% de rejeição. Não há viabilidade para uma sonhada terceira via, pois a polarização continua, e aquele que poderia se apresentar com esse viés foi demovido por Michelle.

 

O boquirroto – Ciro Gomes – embora, seja o mais bem preparado, não vem seguido de Ronaldo Caiado para enfrentar o Lulismo, pois Romeu Zema, mais se iguala a um queijo estragado: não pelo mofo, daquele que tem bom preço no mercado, mas por ser uma “pessoa beliscosa” demais.

Já aquele que ganha na rejeição não merece atenção, sendo sua representação ligada ao espólio bolsonarista.

A pulverização de candidatos sem expressão, pela direita, levará a eleição para o segundo turno, e novamente teremos o Lulismos e Bolsonarismo na disputa presidencial.

E assim, votaremos no menos ruim, naquele que representa a esperança capenga e convalescente de um Brasil melhor, onde a carestia está pela hora da morte, mas não se morre de fome como antes,

agora se morre por doenças do psicológico, depressão ….

Da desilusão de uma geração do desempenho, cujo ideal é ser patrão de si mesmo. Mas isso não gera o pão do dia a dia, nem a garantia dos direitos trabalhistas; que um dia serviram para aliviar as dívidas das famílias,  que agora não compra mais fiado na vendinha da esquina, mas veem o seu dinheiro, de patrão sem CLT na mão, indo para as bets, autorizadas ou não, que roubam o pão daqueles que não têm mais fome e sede, escravo do mundo moderno, que ainda usa o SUS e vota no seu algoz que lhe tira a saúde e a vida.

 

 

 

 

Ilso Galdino, é servidor público e advogado, escre semanalmente para este portal sobre polítical local, regional e nacional

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ARTIGOS

Quando a Política Tira a Máscara

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O prazo final para filiação partidária, definição de domicílio eleitoral e desincompatibilização de pré-candidatos para as eleições de 2026 se encerra neste sábado (4). Trata-se de um período estratégico, capaz de redefinir alianças e reposicionar atores no tabuleiro eleitoral.

 

Nesse contexto, um movimento específico chamou atenção: a destituição dos diretórios estaduais do PRD e do Solidariedade em Mato Grosso, partidos que integram a Federação Renovação Solidária. Mais do que uma mudança administrativa, o episódio revela como o poder se reorganiza quando os interesses falam mais alto.

É exatamente nesse cenário de reviravoltas que se torna possível compreender, na prática, o verdadeiro sentido do maquiavelismo. Longe da leitura simplista que o associa à maldade, o conceito, formulado por Maquiavel, aponta para algo mais direto, o agir conforme a conveniência e o interesse. Sua principal lição é clara não se pode depositar confiança cega na natureza humana quando o assunto é poder.

Como sintetizou Leonel Brizola: “A política ama a traição, mas não perdoa os traidores.” A frase traduz com precisão a lógica do ambiente político, onde alianças são fluidas, movimentos são táticos e a lealdade, frequentemente, circunstancial.

Maquiavel foi ainda mais incisivo ao afirmar que a política constitui uma esfera autônoma, regida por regras próprias. A moral que orienta a vida privada, seja religiosa ou cotidiana, não se aplica integralmente ao campo político. Há ali uma ética particular, moldada pela necessidade de sobrevivência e conquista de poder.

Nesse ambiente, o que prevalece é o interesse concreto, imediato e, muitas vezes, individual. O “príncipe”, como descreve Maquiavel, age em função do próprio proveito e da manutenção de seu espaço. Para isso, precisa ser hábil, estratégico e, quando necessário, dissimulado, não por desvio de caráter, mas por adaptação às exigências do jogo.

Essa lógica encontra eco contemporâneo na Lei nº 15 de As 48 Leis do Poder, de Robert Greene: “Esmague totalmente o inimigo.” No campo político, isso não significa destruição literal, mas neutralização completa de ameaças; movimentos como a destituição de diretórios não são acidentais, mas estratégicos, visando eliminar focos de resistência e consolidar domínio interno.

É justamente nesse ponto que reside a frustração de muitos: esperar da política a mesma coerência moral que orienta a vida pessoal. Esse desalinhamento entre expectativa e realidade torna episódios como o de Mato Grosso menos surpreendentes e, mais elucidativos.

A compreensão que se impõe é simples, ainda que desconfortável, na política, não vence necessariamente quem está certo, mas quem entende o jogo de forças, interpreta o cenário com precisão e age no tempo adequado.

No fim, a política não é um campo de pureza moral, mas de disputas concretas. E talvez a maior lição seja esta: compreender o jogo não significa concordar com ele, significa encará-lo como ele é, sem ilusões, sem filtros e, sobretudo, com a lucidez de quem já não se deixa enganar.

Por: Ilso Galdino.

Ilso Galdino é advogado e servidor público, escreve sobre política para o portal Noticia em Foco MT

 

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ARTIGOS

Entre Pedras, Decisões e Poder: o jogo silencioso que molda a sucessão em Mato Grosso

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A disputa entre Mendes e Jayme Campos expõe fissuras profundas, acelera migrações partidárias e redesenha o roteiro político do próximo ciclo eleitoral.

 

Na política, como na vida, há caminhos que parecem traçados. E, no caso de Mauro Mendes, na eleição de 2026 há uma pedra no seu caminho, no seu caminho há uma pedra e, essa pedra tem nome, história e peso: Jayme Campos, o “Pedra 90”. O cenário, que antes indicava uma transição relativamente previsível, agora se desenha como um jogo de forças, onde cada movimento pode redefinir o futuro eleitoral de Mato Grosso.

Às vésperas de se desincompatibilizar do governo, ainda filiado ao União Brasil, hoje integrante da Federação União Progressista com o PP, Mauro Mendes enfrenta um impasse estratégico. Declaradamente apoiador da candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta ao governo estadual, Mendes vê ruir a possibilidade de manter seu grupo político coeso dentro da federação.

A insistência de Jayme Campos em disputar o governo cria uma fissura difícil de conter. Não se trata apenas de vaidade política, mas de capital eleitoral consolidado o que transforma o embate em algo estrutural. Mendes, portanto, se vê diante de uma encruzilhada delicada: permanecer onde não há unidade ou migrar para um novo espaço partidário.

Nesse contexto, alternativas começam a ganhar forma. O Republicanos, legenda de Pivetta, surge como destino natural. Em paralelo, o crescimento do Podemos, liderado regionalmente por Max Russi, amplia o leque de possibilidades. Em um cenário mais remoto, o PRD, associado a Mauro Carvalho, também entra no radar. A permanência na federação, por sua vez, torna-se cada vez mais inviável; não por falta de espaço, mas por ausência de convergência.

Se confirmada a candidatura de Jayme Campos, o efeito será imediato: a fragmentação do eleitorado de direita e centro-direita. Entre quatro pré-candidaturas, três orbitam esse mesmo espectro ideológico, com exceção de Natasha Slhessarenko, do PSD, posicionada mais ao centro-esquerda.

Esse cenário reforça uma percepção já latente: a eleição tende a caminhar para o segundo turno. E, nesse ponto, a divisão deixa de ser apenas um risco torna-se uma oportunidade para reposicionamentos estratégicos, alianças inesperadas e reconstrução de narrativas.

Nos bastidores, o Republicanos já se movimenta. A recente filiação do deputado federal Juarez Costa e de sua suplente Juliana Kolankiewicz, ambos oriundos do MDB, além do deputado estadual Dr. Eugênio, ex-PSB, sinaliza um claro movimento de fortalecimento.

Caso Mauro Mendes opte por essa sigla em sua pré-candidatura ao Senado, haverá uma condição implícita e, estratégica: acomodar também a candidatura de sua esposa Virginia Mendes à Câmara Federal. Em política, raramente se negocia apenas o indivíduo; negocia-se o conjunto.

E o efeito dominó já começou. A saída do deputado Coronel Assis rumo ao PL foi apenas o primeiro sinal de que o União Brasil perde tração. A situação se torna ainda mais sensível quando se observa aliados históricos, como Fábio Garcia, hoje licenciado da Câmara para assumir a Casa Civil, e Gisela Simona, que ocupa seu espaço no Congresso.

Diante desse cenário em movimento, uma conclusão se impõe: a decisão de Mauro Mendes não será apenas partidária, será estratégica, quase cirúrgica. Sua saída da Federação União Progressista tende a aprofundar fissuras, inclusive na base de apoio de Pivetta, especialmente dentro do Progressistas, que ficaria dividido entre a fidelidade à federação e o compromisso político já firmado.

O que está em jogo não é apenas uma candidatura, mas o redesenho das forças políticas no Estado. E, como toda boa partida de xadrez, vencerá não quem reagir melhor, mas quem antecipar o próximo movimento.

No fundo, o eleitor já percebe: quando há muitas pedras no caminho, não se trata de evitá-las, mas de decidir quais mover primeiro.

A situação reflete com precisão a Lei 15: “Esmague totalmente o inimigo” não no sentido literal, mas estratégico. Ao permitir que múltiplas candidaturas do mesmo campo prosperem, dilui-se o poder e abre-se espaço para adversários. Também ecoa a Lei 23: “Concentre suas forças”. A fragmentação atual mostra exatamente o oposto: dispersão de capital político, o que, historicamente, cobra seu preço nas urnas.

Ilson Galdino é advogado e servidor público, escreve sobre política para o portal noticia em foco MT 

DA REDAÇÃO

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