Rondonópolis, considerada a capital do bitrem e referência no agronegócio em Mato Grosso, vive um cenário político que acende um alerta para o futuro da representatividade federal do município. Terceira maior economia do estado e o terceiro maior colégio eleitoral, a cidade corre o risco real de ficar sem representantes na Câmara dos Deputados a partir de 2027, mesmo apresentando um número expressivo de nove candidatos à disputa.
Historicamente, Rondonópolis já ocupou posições de destaque na política estadual e nacional, elegendo governadores, senadores e deputados federais. Atualmente, o município conta com o senador Welington Fagundes (PL) e com os deputados federais José Medeiros (PL) e Rodrigo da Zaeli (PL) como representantes no Congresso Nacional. Entretanto, o cenário político para as próximas eleições indica muita dificuldade para manter essa representatividade.
Welington Fagundes deve disputar a eleição ao governo do estado pelo Partido Liberal, enquanto José Medeiros (PL), mantém a intenção de concorrer ao Senado com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Já Rodrigo da Zaeli, que assumiu o mandato após a eleição de Abílio Brunini à Prefeitura de Cuiabá — tendo obtido apenas 6.695 votos — deve buscar a reeleição enfrentando concorrência pesada dentro do próprio partido.
Disputa acirrada nas federações e partidos
Entre os possíveis nove pré-candidatos rondonopolitanos à Câmara Federal, o cenário revela desafios complexos em praticamente todas as siglas.
Federação PT,PV e PCdoB

Wendel Girotto (PT)
Na federação formada por PT, PV e PCdoB, os nomes de Wendel Girotto (PT) e Neuma de Morais (PV) aparecem como representantes locais. Ambos enfrentam uma disputa direta com a ex-deputada Rosa Neide, que obteve 124 mil votos na última eleição e deve novamente liderar a votação da legenda.

Neuma de Morais (PV)
Para conquistar uma vaga, Girotto e Neuma precisarão não apenas superar concorrentes internos, mas também torcer para que a federação alcance votos suficientes para uma segunda cadeira — tarefa considerada difícil, já que o quociente eleitoral estimado pode chegar a 230 mil votos.
Rodrigo da Zaeli e o cenário dentro do PL
No Partido Liberal, Rodrigo da Zaeli enfrenta concorrentes com histórico eleitoral robusto, como coronel Fernanda e coronel Assis, que obtiveram 60.304 e 47.479 votos, respectivamente, na eleição passada.

Rodrigo da Zaeli (PL)
Outro fator que amplia o desafio é a possível candidatura do agropecuarista Thiago Boava, viúvo da ex-deputada Amália Barros, que conquistou 70.294 votos em 2022. Caso Boava alcance cerca de metade dessa votação, poderá alterar significativamente a disputa interna.
A lista do PL ainda conta com nomes como:
- Rafael Ranali (policial federal e vereador por Cuiabá)
- Luiza Boer (biomédica e vereadora por Juína)
- Gislaine Yamashita (vereadora por Primavera do Leste)
A expectativa é que o PL conquiste ao menos uma vaga, podendo disputar uma segunda cadeira, o que torna o ambiente ainda mais competitivo.
Kalynka Meireles e a disputa no Podemos

Kalynka Meireles (PODEMOS)
A vereadora Kalynka Meireles, em seu segundo mandato em Rondonópolis, disputa vaga pelo Podemos, partido liderado regionalmente por Max Russi.
Entre seus principais concorrentes estão nomes de forte densidade eleitoral:
- Neri Geller (ex-ministro da Agricultura)
- Nelson Barbudo
- Allan Kardec
- Marcos Ritella
Kalynka obteve 9.630 votos em 2022. Entretanto, diante de concorrentes que já alcançaram votações superiores a 40 mil e 50 mil votos, sua eleição é considerada uma missão difícil, sobretudo com Neri Geller sendo apontado como favorito dentro da legenda.
União Progressista: cenário desfavorável para nomes locais

Dr. Altemar Lopes (UP)
Pelo União Progressista (UP), aparecem como pré-candidatos:
- Dr. Altemar Lopes (vice-prefeito de Rondonópolis)
- Paulo José Correia (ex-diretor do Sanear e ex-candidato a prefeito)

Paulo José Correia (UP)
Ambos enfrentam concorrência de nomes considerados favoritos, como:
- Virgínia Mendes
- Fábio Garcia
- Gisela Simona
Nos bastidores, a expectativa é que Virgínia Mendes ultrapasse a marca de 100 mil votos, e Fabio Garcia possa também se aproximar deste número, já que na última eleição ultrapassou os 90 mil votos, essa projeção, praticamente inviabiliza as chances dos candidatos rondonopolitanos dentro da legenda.
Marildes Ferreira e a disputa no PSD

Marildes Ferreira (PSD)
A suplente de deputada estadual Marildes Ferreira, recém-filiada ao PSD, também enfrentará concorrentes de peso, como:
- Emanuelzinho (deputado federal eleito com 74.720 votos)
- Irajá Lacerda (54.607 votos)
- Valtenir Pereira
- Procurador Mauro
Apesar de ter histórico político relevante — incluindo 25.730 votos em eleição anterior para deputada federal, sendo inclusive a mais votada dentro de Rondonópolis, a avaliação interna é de que a disputa será extremamente acirrada e com chances remotas para Marildes.
Outros nomes e cenários desafiadores
Também integram a lista de pré-candidatos:
Vinícius Santana (NOVO)

Vinícius Santa (NOVO)
Corretor de imóveis e alinhado ao bolsonarismo, Vinícius obteve 1.336 votos, pelo PL, em eleição anterior para vereador. Tendo se filiado recentemente ao NOVO, A expectativa é que o partido não alcance quociente eleitoral suficiente para garantir cadeira na Câmara.
Marchiane Fritzen (MDB)

Marchiane Fritzen (MDB)
Empresária e suplente de deputada federal, Marchiane ainda não confirmou oficialmente sua candidatura. Caso entre na disputa, enfrentará cenário difícil, já que o MDB perdeu nomes expressivos e pode ter dificuldades para atingir o quociente eleitoral.
Na última janela, o partido perdeu os já deputados federais Emanuelzinho e Juarez Costa, além de Valtenir Pereira, não conseguindo repor com outros nomes de peso que pudesse ser o puxador de votos. Recentemente, o partido filiou a empresária e ex-prefeita de Sinop, Rosana Martineli, ela que também é segundo suplente do senador Welington Fagundes e chegou a assumir a vaga por 120 dias na ausência do senador, Rosana é uma das apostas do partido, embora o MDB corra o sério risco de não conseguir votos suficientes para brigar por uma das cadeiras.
Risco real de ausência de representação federal
Apesar do número significativo de pré-candidatos, a matemática eleitoral indica que Rondonópolis poderá enfrentar um cenário inédito: ficar sem representantes na Câmara Federal.
O principal fator é o aumento da competitividade interna nos partidos e federações, somado ao crescimento do quociente eleitoral, que exige votações cada vez maiores para garantir uma cadeira.
Caso essa projeção se confirme, a ausência de representantes diretos poderá impactar:
- Defesa de recursos federais
- Destinação de emendas parlamentares
- Articulação política regional
- Representatividade institucional da cidade
Um alerta político para a terceira maior economia do estado
O cenário atual serve como um alerta para lideranças políticas e para o eleitorado rondonopolitano. Mesmo sendo a terceira maior economia do estado e um dos principais polos do agronegócio brasileiro, Rondonópolis poderá enfrentar um esvaziamento político em Brasília caso não consiga eleger representantes federais.
O resultado das próximas eleições será decisivo não apenas para os candidatos, mas para o próprio peso político do município no cenário estadual e nacional.
DA REDAÇÃO
