Denúncia protocolada no TCE-MT coloca gestão municipal de Rondonópolis sob nova onda de questionamentos
Empresária Juliana Guimarães apresenta documentos ao Tribunal de Contas e pede apuração de contratos, verbas indenizatórias, gastos com publicidade e uso de policiais na segurança de agentes públicos
Uma denúncia protocolada junto ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) promete ampliar o debate sobre a transparência dos gastos públicos e a condução administrativa da Prefeitura de Rondonópolis. A empresária Juliana Guimarães, conhecida por administrar a página Nexa Influencer, apresentou uma série de documentos que, segundo ela, apontariam possíveis irregularidades envolvendo contratos, despesas públicas e benefícios concedidos a agentes políticos do município.
De acordo com informações divulgadas pela própria denunciante, o material foi entregue diretamente ao presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, que teria recebido a documentação para análise e encaminhamento aos setores competentes da Corte de Contas.
A denúncia reúne diferentes apontamentos que, segundo Juliana Guimarães, merecem investigação aprofundada por parte dos órgãos de controle e fiscalização.
Verbas indenizatórias entram na mira
Um dos principais pontos questionados diz respeito ao pagamento de verbas indenizatórias destinadas ao prefeito, vereadores e secretários municipais.
Segundo a denúncia, além dos salários e diárias eventualmente recebidas em deslocamentos oficiais, os agentes públicos também seriam beneficiados mensalmente com verbas indenizatórias, situação que, na avaliação da empresária, exigiria maior transparência e fiscalização sobre os critérios de concessão e utilização dos recursos.
Gastos milionários com publicidade levantam suspeitas
Outro tema que chama atenção no documento protocolado envolve os contratos de publicidade institucional firmados pela administração municipal.
Conforme a denúncia, aproximadamente R$ 40 milhões teriam sido destinados a contratos com agências de comunicação e marketing. A empresária sustenta que a aplicação desses recursos teria criado um ambiente de dependência financeira de parte da mídia local em relação ao poder público, comprometendo a divulgação de conteúdos críticos à gestão municipal.
A denúncia afirma ainda que documentos fiscais e comprovantes de pagamentos teriam sido anexados ao procedimento, incluindo registros que apontariam repasses a veículos e canais de comunicação da cidade.
Uso de policiais na segurança de autoridades
Outro capítulo da representação apresentada ao Tribunal de Contas envolve o uso de policiais para a segurança pessoal do prefeito e de integrantes do primeiro escalão da administração municipal.
Segundo os documentos apresentados, até oito agentes estariam sendo utilizados em atividades de segurança relacionadas ao chefe do Executivo Municipal, havendo inclusive questionamentos sobre pagamentos realizados aos profissionais.
A empresária argumenta que, após denúncias divulgadas pela página Nexa em maio de 2026, a administração municipal encaminhou alterações legislativas para regulamentar a atividade, estabelecendo carga horária e critérios formais para a prestação dos serviços.
Na interpretação da denunciante, a posterior regulamentação poderia indicar a necessidade de esclarecimentos sobre a forma como os serviços vinham sendo executados anteriormente.
Contrato milionário com empresa do setor energético
Entre os pontos mais sensíveis da denúncia está a contratação da empresa Enersim por meio de inexigibilidade de licitação.
Segundo a representação, dois contratos somariam valores superiores a R$ 117 milhões.
A empresária questiona a viabilidade econômica da contratação e defende que o montante seria suficiente para investimentos estruturais próprios por parte do município. A denúncia pede que o Tribunal de Contas avalie a legalidade, economicidade e justificativas técnicas que fundamentaram os contratos.
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Nexa Influencer e os embates com a administração municipal
Nos últimos meses, a página Nexa Influencer passou a ocupar espaço frequente nos debates políticos de Rondonópolis ao divulgar vídeos, documentos e conteúdos críticos relacionados à administração pública municipal.
As publicações abordaram temas como gastos públicos, contratos administrativos, utilização de recursos da prefeitura e decisões do Executivo Municipal.
A atuação da página também gerou forte repercussão política e jurídica. Recentemente, os responsáveis pela Nexa estiveram no centro de investigações relacionadas à divulgação de conteúdos considerados ofensivos por autoridades e figuras públicas de Mato Grosso. Reportagens divulgadas por veículos estaduais informaram que Juliana Guimarães e outros envolvidos foram alvos da chamada Operação Stop Hate, conduzida pela Polícia Civil, que apura supostos crimes contra a honra praticados em ambiente digital.
Apesar das investigações, a empresária sustenta que sua atuação está baseada na fiscalização dos atos públicos e afirma que continuará apresentando denúncias que considerar relevantes para a sociedade.
Expectativa por posicionamento do Tribunal
A entrega formal da documentação ao TCE-MT agora abre caminho para análise técnica dos fatos apresentados.
Caso os elementos sejam considerados suficientes, o Tribunal poderá instaurar procedimentos de fiscalização, solicitar esclarecimentos aos órgãos envolvidos e determinar auditorias específicas para verificar a regularidade dos atos administrativos questionados.
O episódio já movimenta os bastidores políticos de Rondonópolis e deve gerar novos desdobramentos nas próximas semanas.
Outro lado
Até o fechamento desta reportagem, não havia sido localizado posicionamento oficial da Prefeitura de Rondonópolis acerca dos apontamentos apresentados pela empresária. O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal, dos agentes públicos citados e das empresas eventualmente mencionadas na denúncia.