O senador Flávio Bolsonaro voltou, ao longo dos últimos anos, ao centro de uma série de acusações que envolvem suposto esquema de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, conexões políticas com personagens ligados à milícia fluminense e suspeitas de tentativa de blindagem durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro.
O caso mais conhecido é o das chamadas “rachadinhas”, prática em que assessores devolvem parte dos salários ao parlamentar ou a operadores do gabinete. Em 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outras pessoas pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e apropriação indébita. A acusação sustentava que o esquema teria funcionado quando Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro.
Segundo informações divulgadas à época, Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-policial militar, foi apontado como operador financeiro do gabinete. O caso ganhou força depois de relatórios de movimentações financeiras atípicas envolvendo Queiroz e ex-servidores ligados ao gabinete de Flávio. O senador sempre negou irregularidades e afirmou ser vítima de perseguição política.
A investigação também expôs vínculos indiretos com o universo das milícias do Rio. A mãe e a ex-mulher de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope acusado de chefiar milícia em Rio das Pedras, trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro. Adriano também recebeu, por iniciativa de Flávio quando deputado estadual, a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio.
Apesar disso, é importante destacar: Flávio Bolsonaro não foi condenado por envolvimento com milícias. O que existe são relações políticas, homenagens e nomeações de familiares de personagem apontado como miliciano, elementos que alimentaram suspeitas e desgaste público, mas que não resultaram em condenação criminal contra o senador por esse tema.
No campo judicial, o caso das rachadinhas sofreu reviravoltas. Em 2021, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal anulou provas da investigação, incluindo decisões relacionadas à quebra de sigilos. Em 2022, o Tribunal de Justiça do Rio rejeitou a denúncia contra Flávio Bolsonaro após pedido do próprio Ministério Público, atingindo a acusação por peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Outro ponto sensível é a acusação de interferência política na Polícia Federal. Em abril de 2020, Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça afirmando que Jair Bolsonaro queria trocar o comando da PF para ter acesso a informações e relatórios de inteligência. A crise ocorreu em meio a investigações que atingiam familiares e aliados do então presidente.
A suspeita política levantada à época era de que Bolsonaro buscava controlar a PF no Rio de Janeiro e em Brasília para proteger seus filhos, especialmente Flávio, investigado no caso das rachadinhas. No entanto, relatórios posteriores da própria Polícia Federal concluíram que não houve comprovação criminal de interferência de Jair Bolsonaro em investigações da corporação.
Apesar de não haver condenação definitiva contra ele nesses casos, Flávio Bolsonaro foi acusado formalmente no caso das rachadinhas, teve seu nome associado a personagens ligados à milícia por vínculos políticos e funcionais, e foi beneficiado por decisões judiciais que enfraqueceram a investigação.
DA REDAÇÃO
