Entre o embate feroz da direita e a reorganização do campo progressista, Jaime Campos pode ser o fiel da balança — e só não vence a eleição se lhe faltar decisão política e coragem estratégica.
A disputa começa a se desenhar em clima de confronto direto
A corrida pelo Governo de Mato Grosso já deixou de ser apenas um ensaio político e passou a ganhar contornos claros de rivalidade aberta, sobretudo no campo da direita, onde dois nomes concentram os maiores embates: o senador Welington Fagundes (PL) e o governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos).
Ambos disputam o eleitorado conservador e bolsonarista, considerado hoje o principal segmento eleitoral do estado. A tensão entre os dois já se tornou pública em diversas ocasiões, incluindo declarações indiretas e ataques velados durante eventos oficiais e discursos públicos.

Senador Welington Fagundes (PL), Governador Otaviano Pivetta (Republicanos)
Em março de 2026, por exemplo, um vídeo envolvendo aliados do bolsonarismo trouxe críticas diretas ao governador, em referência a um episódio investigado em 2021 envolvendo denúncia de violência doméstica. O episódio elevou o tom da disputa e aprofundou a rivalidade política no estado.
Já em agendas públicas recentes, Pivetta intensificou críticas à corrupção e chegou a insinuar irregularidades envolvendo políticos ligados ao Senado, sinalizando que o ambiente eleitoral tende a se transformar em um campo de ataques duros e constantes.
Tudo indica que o embate entre esses dois grupos será marcado por desgaste público e confrontos diretos — um cenário que, paradoxalmente, pode abrir caminho para um terceiro nome crescer.
A esquerda busca espaço, mas ainda sem força para liderar
No campo progressista, o cenário apresenta maior estabilidade, porém ainda com limitações eleitorais. A médica pediatra e empresária Natasha Slhessarenko (PSD) desponta como pré-candidata com a missão de garantir palanque ao presidente Lula em Mato Grosso.
A estratégia envolve a construção de alianças com a federação formada por PT, PCdoB e PV, além do próprio PSD liderado pelo senador Carlos Fávaro.
Apesar da articulação, a avaliação predominante nos bastidores é que, isoladamente, o campo da esquerda dificilmente conseguiria disputar em igualdade com a direita, que historicamente concentra a maior fatia do eleitorado mato-grossense.
Mas é justamente nesse ponto que surge o elemento que pode mudar completamente o jogo político.
É no meio desse tabuleiro, que surge o senador Jaime Campos (União Brasil).
Veterano da política mato-grossense, já tendo sido prefeito de Várzea Grande por três vezes, Governador do estado, e senador da república no segundo mandato, Jaime sempre deixou claro o desejo de disputar o governo do estado. Mesmo diante de resistências internas dentro do próprio partido, especialmente sob a liderança do ex-governador Mauro Mendes. O senador sustenta que possui densidade eleitoral suficiente para disputar e vencer as prévias internas, bem como base eleitoral por todo estado, capaz de ir para disputa de igual para igual com seus principais concorrentes, e contudo se mostra irredutível no desejo pela disputa.
As pesquisas recentes indicam que Jaime aparece de forma consistente na terceira colocação, com possibilidade real de crescer e alcançar a segunda posição, dependendo do desenrolar dos conflitos entre os adversários da direita.
Esse dado não é trivial: significa que Jaime está dentro do jogo — e mais do que isso, está na posição ideal para avançar, basta ter coragem de fazer as alianças necessárias.
A coragem que pode definir o resultado
A grande pergunta que ecoa nos bastidores políticos é simples:
Por que Jaime ainda não se define com mais firmeza?
A resposta pode estar no cálculo político. Mas também pode estar na falta de uma decisão estratégica que exige coragem — não apenas eleitoral, mas ideológica.
Caso Jaime Campos decida assumir uma posição mais independente e dialogar com setores do centro e centro-esquerda, o cenário eleitoral pode mudar radicalmente.
Uma eventual aliança com partidos como o PSB de Geraldo Alckimin, que mesmo sem chapa para estadual ou federal, tem como principal nome o ex-governador e ex-senador, Pedro Taques, candidato ao Senado, e que recentemente filiou o ex-prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz. Percival que sempre sonhou em ser governador de mato grosso, talvez não descartaria um convite para ser vice na chapa de Jaime, o que mudaria ainda mais o cenário da disputa, podendo formar uma base eleitoral ampla, capaz de quebrar a polarização e atrair eleitores cansados do confronto ideológico. Isso acontecendo, o crescimento de Jaime seria inevitável.
Outro elemento estratégico envolveria a possível aproximação com a deputada Janaína Riva, nome forte na disputa ao Senado e que possui peso político significativo em diversas regiões do estado, e com varias camadas do eleitorado, razão pela qual a coloca como segundo colocada na disputa ao senado.
Apesar de declarar alinhamento ao campo conservador, Janaína enfrenta resistência dentro da ala bolsonarista mais radical, o que abre espaço para rearranjos políticos.
Caso esse movimento se concretizasse, a presença da deputada ao lado de Jaime poderia consolidar uma base eleitoral competitiva e ampliar ainda mais o alcance de sua candidatura.
Esse cenário não apenas fortaleceria Jaime — poderia redefinir completamente o equilíbrio político da disputa.
O peso estratégico de Rondonópolis
Ainda sobre a possível entrada do ex-prefeito Percival Muniz, do jogo, o terceiro maior colégio eleitoral do estado, pode desequilibrar o jogo da direita que sofreria com a perca de votos de Welington Fagundes em sua principal base eleitoral. Mesmo afastado da política institucional, Percival ainda possui influência significativa e capacidade de mobilização eleitoral.
Caso venha a apoiar Jaime Campos, o impacto seria duplo:
- Retiraria votos de Welington Fagundes
- Fortaleceria a base eleitoral no sul do estado
Seria, nas palavras populares da política, “matar dois coelhos com uma só tacada.”
O caminho para a vitória no segundo turno
Se Jaime Campos alcançar o segundo turno, os fatores que podem levá-lo à vitória já estão desenhados:
- O desgaste provocado pela guerra interna entre os grupos da direita
- O apoio consolidado do eleitorado tradicional da baixada cuiabana
- A possibilidade de união do campo progressista em torno do seu nome
- O cansaço do eleitor com disputas ideológicas extremadas
Nesse cenário, a candidatura de Jaime deixa de ser alternativa — passa a ser protagonista.
A verdade política que ninguém ignora
No fim das contas, a eleição para o governo de Mato Grosso pode não ser decidida apenas pela força eleitoral dos adversários, mas pela capacidade de decisão de um único candidato.
Porque, diante de tudo que se desenha nos bastidores e nas pesquisas, uma conclusão começa a ganhar força entre analistas políticos:
Jaime Campos só não vence a eleição para o governo de Mato Grosso se não quiser — ou se lhe faltar coragem para fazer os movimentos que o momento exige.
A política é dinâmica, imprevisível e cheia de reviravoltas. Como já dizia o ex-governador mineiro Magalhães Pinto:
“A política é como nuvem: você olha, ela está de um lado; olha de novo, ela já está do outro.”
E, em Mato Grosso, a nuvem da eleição ainda está em movimento.
DA REDAÇÃO
